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CÃES DE GUARDA POUCO CONVENCIONAIS
Ruminantes nº 26

 
A segurança dos rebanhos é uma das grandes prioridades de qualquer produtor de ovinos. Quando esta falha, os resultados podem ser desastrosos. Que o diga Gordon Wyeth, um produtor da região de Sussex, condado Inglês que, este ano, viu 116 das suas fêmeas da raça Romney Marsh Neozelandesa, muitas delas prenhas, morrerem em circunstâncias misteriosas, o que acarretou um prejuízo de cerca de 17 mil libras (mais de 19 mil euros).
Após investigação, concluiu-se que a responsável terá sido uma matilha de cães selvagens da zona. Visando evitar perdas futuras, o senhor Wyeth decidiu então reforçar a segurança dos seus rebanhos e, para isso, comprou dois animais de guarda, de seu nome Tom e Jerry. O mais interessante? Estes dois machos não pertencem à espécie canina, mas sim à família dos camelídeos: são duas alpacas.
O uso de alpacas como guardadoras de rebanhos não é de todo uma prática desconhecida, já que se comprovou que estes animais são muito bons nessa tarefa, especialmente durante as épocas de parto, afugentando predadores como raposas e cães. O problema não está só nas mortes ocorridas, mas também nos abortos induzidos pela presença dos predadores, que induzem estados de stress nas fêmeas gestantes. De acordo com a pastora Lizzie Rough, apesar de tímidos junto dos humanos, Tom e Jerry estão sempre bastante atentos aos predadores, e podem mesmo persegui-los e afugentá-los se os considerarem uma ameaça para o rebanho. Tal como os outros camelídeos, as alpacas são animais robustos, inteligentes e gregários, possuindo um grande instinto protetor e uma visão apurada a vários quilómetros de distância. São ainda capazes de emitir um sinal sonoro bastante caraterístico perante uma ameaça, o que pode ajudar a alertar os produtores para a presença de predadores.